A Embaixada da República de Cuba em Angola participou na homenagem prestada pela Academia Diplomática Venâncio de Moura, com o apoio da Associação de Antigos Estudantes Angolanos em Cuba, “Caimaneros”, ao Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz, por ocasião do centenário natalício.
A conferência internacional dedicada ao centenário de Fidel reuniu representantes do Governo angolano, da comunidade académica, do Corpo Diplomático acreditado no país e uma representação dos “Caimaneros”, num espaço dedicado a recordar a vida, a obra e o legado internacionalista do líder histórico da Revolução Cubana, bem como à sua contribuição para a defesa da paz, da solidariedade e do multilateralismo.
O discurso de abertura ficou a cargo do embaixador Domingos Custódio Vieira, secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, que afirmou que a vida de Fidel Castro continua a inspirar em todo o mundo e que a sua contribuição histórica transcende as fronteiras das Caraíbas.
O dirigente angolano destacou particularmente o contributo de Fidel Castro para as lutas de libertação do continente africano e, nesse contexto, fez referência à Batalha de Cuito Cuanavale, travada em 1987 e 1988, que constituiu um momento decisivo na defesa da soberania de Angola e na luta contra o apartheid na África Austral. Salientou que essa vitória contribuiu para o processo que conduziu à democratização da África do Sul e à libertação de Nelson Mandela, bem como à independência da Namíbia.
O Secretário de Estado agradeceu igualmente a solidariedade prestada por Cuba a Angola, salientando que esta transcendeu o âmbito militar e se estendeu a sectores essenciais como a educação, a saúde e a formação técnica, entre outros. Neste sentido, fez referência aos diversos acordos assinados entre ambos os países como expressão das estreitas relações históricas e de cooperação existentes entre Cuba e Angola.
Além disso, manifestou o desejo de que as relações económicas entre os dois países continuem a fortalecer-se, especialmente face às medidas que qualificou de asfixiantes contra Cuba. Considerou que, face a estas circunstâncias, o pensamento de Fidel Castro adquire cada vez mais relevância.
Por outro lado, recordou as numerosas votações realizadas nas Nações Unidas contra o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba e salientou que uma das grandes contribuições de Fidel Castro foi precisamente a sua defesa do multilateralismo e de uma ordem internacional baseada na cooperação e no respeito entre os Estados.
Como parte do programa do evento, realizou-se um painel composto pelo embaixador de Cuba em Angola, Oscar León González, e pelo deputado da Assembleia Nacional de Angola e secretário do Bureau Político do MPLA, Dr. Mário Pinto de Andrade.
O diplomata cubano centrou a sua intervenção na origem e no desenvolvimento das ideias revolucionárias de Fidel Castro, bem como na sua dimensão diplomática e internacional. Fez um percurso desde o nascimento do líder cubano até à sua actuação na cena internacional, destacando a evolução do seu pensamento e o seu compromisso permanente com a soberania, a independência e a solidariedade entre os povos.
Por seu lado, o Dr. Mário Pinto de Andrade expressou o privilégio que significou para ele ter conhecido pessoalmente Fidel Castro e resumiu várias etapas da sua vida até ao seu falecimento.
O deputado angolano considerou Fidel Castro como um dos grandes líderes que surgiram após a Segunda Guerra Mundial e destacou o seu papel à frente de uma revolução que, na sua opinião, levou a cabo as transformações de que Cuba necessitava. Acrescentou que Fidel transformou Cuba num símbolo da América Latina e sublinhou o facto de ele ser um grande amigo de Angola.
Pinto de Andrade recordou, em especial, a sua participação no acolhimento da Brigada “Che” Guevara, expressão da solidariedade cubana para com Angola. A brigada, composta fundamentalmente por colaboradores cubanos da área da educação, chegou a Angola em 1977 com o objectivo de contribuir para a formação de recursos humanos e para o reforço de domínios essenciais do país, no âmbito da cooperação internacionalista cubana.
Salientou igualmente a importância do trabalho desenvolvido por essa brigada e partilhou a sua convicção de que Cuba vencerá a batalha que trava actualmente, considerando que o povo cubano tem o direito de escolher livremente o seu futuro. Convidou as futuras gerações a conhecer e preservar a memória do que Cuba fez por Angola.
A homenagem foi acompanhada por diversos materiais audiovisuais sobre a vida e a obra de Fidel Castro, bem como por apresentações de dança e poesia. Entre os momentos culturais, destacou-se a recitação do poema “Tengo” (Tenho), do poeta cubano Nicolás Guillén, além da interpretação das canções emblemáticas “Hasta siempre, Comandante” (Até sempre, Comandante) e “Y en eso llegó Fidel” (E, nesse momento, chegou Fidel), ambas do cantor e compositor cubano Carlos Puebla.
A homenagem constituiu mais uma expressão do reconhecimento existente em Angola pela figura histórica de Fidel Castro e pela contribuição de Cuba para a independência e o desenvolvimento do país, ao mesmo tempo que realçou a vigência dos laços de amizade, solidariedade e cooperação que unem ambos os povos.
