Cuba comemora 50 anos da “Operação Carlota”

A “Operação Carlota”, como foi chamada a ajuda militar internacionalista prestada pela Ilha a Angola, faz hoje meio século do seu início.

Carlota foi uma escrava libertária africana que em 5 de Novembro de 1843, liderou uma rebelião na usina de açúcar Triunvirato, na província de Matanzas, localizada na zona central da ilha

Sua rebelião, para acompanhar muitos outros escravos levantados nas terras da usina de açúcar Triunvirato tornou-se, mais de 130 anos depois, o grito de guerra de um continente.

Aquele gesto de altruísmo sem-par dos internacionalistas cubanos foi merecidamente chamado de “Operação Carlota”, em homenagem à cativa africana de indomável bravura. Ela é o paradigma da resistência à exploração e faz parte do património cubano de rebelião contra a opressão.

Em 5 de Novembro de 1975, a pedido do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA), o governo cubano decidiu apoiar directamente a nação africana.

Assim nasceu a “Operação Carlota”, acção ousada e de proporções titânicas. Foi o início da ajuda militar internacionalista prestada por Cuba a Angola, diante das ameaças à sua soberania do exército sul-africano do apartheid e os seus aliados.

Mais de 300 mil combatentes e outros 50 mil civis foram para Angola para superar a guerra civil, repelir a invasão sul-africana, ataques do Zaire e garantir a independência do país africano, em uma acção determinante também para a libertação da Namíbia e a eliminação do apartheid na África do Sul.

Na coordenação da “Operação Carlota” esteve sempre à frente o líder histórico da Revolução cubana, Fidel Castro, junto ao General-de-Exército Raúl Castro.

Sobre essa façanha, o Comandante-em-Chefe expressou que a “Operação Carlota” foi “uma extraordinária façanha do nosso povo, muito especialmente da juventude”, e “raramente foi escrita uma página igual de altruísmo e solidariedade internacional”.

Em 27 de Maio de 1991, faz hoje 24 anos, em um acto celebrado em El Cacahual, ao pé do túmulo do Titã de Bronze, Antonio Maceo e o seu assistente Panchito Gómez Toro, o então Ministro das FAR, General-de-Exército Raúl Castro Ruz informava o Comandante-em-Chefe, Fidel Castro Ruz, o fim da “Operação Carlota” com a qual concluía a missão internacionalista de Cuba em Angola, após 15 anos de ajuda militar solidária a essa nação africana, para preservar a sua independência e soberania que o regime racial da África do Sul tencionava arrebatá-lhe.

A 50 anos do início da “Operação Carlota”, estão presentes epopeias gloriosas, entre elas a decisiva batalha de Cuito Cuanavale, e continuam a ser familiares nomes de cidades e da geografia angolana como Cabinda, Cunene, Kangamba, Quifangondo, Ebo, Sumbe, Benguela e muitas outras onde os cubanos estiveram.

A solidariedade entre os dois povos perdura até hoje, pois profissionais cubanos de diversos sectores cumprem missão internacionalista em terras do continente africano.

De 1975 a 1991, um total de 377 033 combatentes internacionalistas e 50 mil civis cubanos apoiaram voluntariamente o povo angolano. Infelizmente,    2 077 deles não sobreviveram para ver a vitória, cujos restos mortais foram repatriados durante a chamada “Operação Tributo”.

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