Sua Excelência, Dr. Jaishankar, Ministro das Relações Exteriores da Índia.
Excelentíssimos senhores Ministros das Relações Exteriores, ilustres chefes de delegação e delegados.
Pela primeira vez, o Governo dos Estados Unidos formaliza publicamente, por meio de um comunicado do Departamento de Estado, uma oferta de ajuda humanitária a Cuba no valor de 100 milhões de dólares. Não estabeleceu contato com Cuba. Até o momento, não ficou esclarecido se se tratará de ajuda em dinheiro ou em espécie, nem se será destinada às necessidades mais urgentes do nosso povo: combustíveis, alimentos e medicamentos.
Mesmo reconhecendo a incongruência dessa aparente generosidade, por parte de quem submete o povo cubano a um castigo coletivo por meio da guerra econômica, o Governo cubano não tem por prática rejeitar a ajuda estrangeira que seja oferecida de boa-fé e com fins genuínos de cooperação.
A melhor ajuda que, neste e em qualquer outro momento, o governo dos Estados Unidos poderia oferecer ao nobre povo cubano seria reduzir as medidas de bloqueio energético, econômico, comercial e financeiro, que se intensificaram como nunca antes nos últimos meses e que afetam severamente todos os setores da economia e da sociedade cubana. Tenha-se em conta que a aplicação do bloqueio por apenas 5 dias causa prejuízos equivalentes a 100 milhões de dólares. Um montante semelhante em combustível daria apenas para 15 dias de geração de energia elétrica com consumo reduzido.
Na sessão de abertura, denunciei as sucessivas ordens executivas do Governo dos Estados Unidos que reforçam o bloqueio econômico e a ameaça de agressão militar contra Cuba a níveis extremos. Ao cerco energético, imposto desde o início do ano, soma-se agora a aplicação das chamadas sanções secundárias de caráter marcadamente extraterritorial contra entidades de países terceiros que operam ou tenham operado com Cuba.
Com esse ato criminoso, que viola o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, os Estados Unidos pretendem impor ao mundo inteiro a obrigação de acatar o bloqueio a Cuba, independentemente da soberania de cada governo e da vontade de seus povos. Somente uma ampla e determinada coalizão internacional permitirá enfrentar com sucesso a depredação global dos Estados Unidos, que estará condenada ao fracasso se os Estados não nos deixarmos intimidar. Nesse contexto, a reforma da governança global e do sistema multilateral não é uma mera aspiração, é uma necessidade política urgente e indispensável.
Cuba sustenta que o fortalecimento das Nações Unidas deve ser orientado para sua verdadeira democratização e não para a redução indiscriminada de seus recursos. Os maiores contribuintes têm a obrigação de pagar suas cotas integralmente, em dia e sem condições. É igualmente inadiável uma reforma integral do Conselho de Segurança que lhe confira democracia, transparência, representatividade e inclusão, corrigindo a presença insuficiente dos países em desenvolvimento.
Cuba valoriza o papel dos BRICS como alternativa à ordem econômica internacional anquilosada e injusta que agora agoniza com a imposição da paz pela força. Os mecanismos para o uso de moedas nacionais, o novo banco de desenvolvimento e as iniciativas de integração soberana são passos concretos na direção correta. O grupo deve contribuir decisivamente para a reforma do sistema financeiro internacional e para a criação de um mecanismo multilateral no âmbito da ONU para a negociação justa e transparente da dívida soberana dos países em desenvolvimento.
Apesar do bloqueio, das sanções e das ameaças de uso da força, Cuba continua construindo seu caminho soberano rumo ao desenvolvimento socialista e contribuindo, dentro de suas modestas possibilidades, para o desenvolvimento de outros povos do Sul.
Continuaremos a levantar a voz em todos os fóruns internacionais para defender as reformas de que o mundo necessita. A governança global que aspiramos construir baseia-se na rejeição à dominação e à hegemonia, no respeito irrestrito ao direito internacional e na convicção de que a cooperação, a solidariedade e a justiça são o único caminho para uma ordem verdadeiramente multilateral, democrática e inclusiva.
Muito obrigado.
