Discurso presidente Díaz-Canel por Aniversário 65 da vitória da Revolução

Discurso presidente Díaz-Canel por Aniversário 65 da vitória da Revolução

Caro General de Exército Raúl Castro Ruz, líder da Revolução Cubana;
Heroínas e heróis da pátria;
Povo heroico da heroica Santiago de Cuba;
Querido povo cubano:
É uma honra estar aqui hoje, 65 anos depois daquela noite em que a Revolução iluminou com a sua vitória, como se o Sol não se tivesse escondido nesse dia. É um enorme privilégio estar e partilhar a celebração junto de históricos protagonistas da gesta.
Vimo-lo nas imagens do reconto. E temos recordado o que disse Fidel ante o povo eufórico pela vitória: “Desta vez, por fortuna para Cuba, a Revolução chegará de verdade ao poder [...]. Nem ladrões, nem traidores, nem intervencionistas. Desta vez sim que é a Revolução”. Uma frase com um significado extraordinário.
Finalmente os cubanos éramos completamente livres, cumpria-se o sonho frustrado dos mambises. (Mambises: combatentes contra o colonialismo espanhol (1868-1898). Insurgentes.) Já para sempre uma única bandeira tremularia nos edifícios públicos. Nenhum outro poeta teria que se perguntar, como Bonifacio Byrne, por que “devem flutuar duas bandeiras onde basta com uma: a minha!”
Para os que ainda não tínhamos nascido e que soubemos da transcendência daquela noite pelos livros alguns anos depois, significa muito estar no lugar em que Fidel falou para o povo no primeiro dia do primeiro ano da Revolução, o que marcaria um antes e um depois na história da nossa América.
Tudo resulta impressionante quando se entra na história de Santiago, mas houve um momento particular e único: o Primeiro de Janeiro de 1959. A fachada a exibir a estrela de Cidade Herói nos lembra tudo o que os seus filhos mais generosos entregaram à causa da liberdade. Cidade dos Maceo, dos moncadistas; (Moncadistas: Assaltantes aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes em 26 de julho de 1953) dos irmãos Frank e Josué País, de Vilma, de Asela, de Hart e de tantos nomes que tornariam infinito o reconto. Pelas suas ruas marcharam as mães cubanas para que cessasse o assassinato dos seus filhos, e um dia como hoje há 65 anos, com Fidel à frente, os mambises entraram a Santiago!
Sempre que visitamos esta cidade nos emociona olhar para esta varanda desde a qual, junto de Raúl, Almeida, Celia e outros combatentes ao seu lado, Fidel proclamou a vitória atingida depois de mais de dois anos de cruenta guerra; depois foi ao futuro e voltou para advertir ao povo sobre os colossais desafios que nos esperavam, e disse: “a Revolução não será uma tarefa fácil, a Revolução será uma empresa dura e cheia de perigos”.
Os 65 anos decorridos confirmam a sua advertência. Nada tem sido fácil para Cuba. Também não o tem sido para os inimigos da Revolução, que tentaram tudo e em tudo fracassaram, porque o ódio se desintegra face à resistência de um povo heroico e criativo que elegeu o amor e a dignidade como fórmula.
Inspira-nos a épica façanha que atravessa, como um sinal de identidade inalterável, os 155 anos de luta que vão desde 1868 até aos nossos dias, com um momento fundamental de enlace nessa vitória de 1959.
Fidel e a sua Geração do Centenário, aqui representada por Raúl, Ramiro, Guillermo, Machado e todos os seus companheiros vivos ou mortos, beberam do ideal de Martí o surpreendente cúmulo de valores humanos e de princípios inegociáveis que antes Céspedes, Agramonte, Maceo, Gómez e tantos líderes dos lutadores pela independência legaram às gerações posteriores com histórias pessoais dignas de um poema épico que ainda não foi escrito.
A ética que atravessa a história revolucionária cubana desde as suas origens anticolonialistas –“esse sol do mundo moral”, assim o chamou Cintio Vitier– alcança a possibilidade de realizar-se plenamente na prática a partir do triunfo de janeiro de 1959 com a Revolução no poder. Esse triunfo significou liberdade, dignidade e justiça verdadeira para todos, desde as primeiras leis. E a confiança do povo não foi ganha com promessas, mas com factos e realizações: obras de profundo e mantido alcance social, que em poucos anos transformaram um país pobre e atrasado em um referente mundial em educação, saúde, desportos e cultura.
Esta Revolução é, em primeiro lugar, um ato libertário de projeção continental que não apenas libertou o país de uma ditadura servil, repressiva e corrupta, mas que logo desatou os nós da dependência económica das transnacionais ianques e liquidou as mais cruéis expressões da exploração humana, que se tinham naturalizado no seio da sociedade cubana, como o trabalho infantil, a prostituição ou a semiescravatura dos imigrantes haitianos.
A obra de 65 anos é imensa e seria tão difícil desconhece-la como resumi-la em poucas palavras. Esta é a Revolução, genuína e profunda, da Reforma Agrária e da Reforma Urbana, que empoderou o povo ao nacionalizar e colocar ao serviço dos interesses populares a terra, as indústrias, os bancos, as comunicações, as grandes construções e investimentos, o transporte, o comércio externo e interno. A que eliminou o desemprego, garantindo a mulheres e homens o humano direito ao trabalho. E é a que construiu centenas de milhares de apartamentos para trabalhadores e camponeses até nas zonas mais longínquas do país.
Esta é a Revolução que, depois de ter perdido 3 000 médicos por um êxodo politicamente induzido na década de 60 do passado século, contruiu um dos mais formidáveis e prestigiosos sistemas de Saúde da nossa época e hoje tem meio milhão de trabalhadores em todos os seus níveis, que garantem cobertura universal e assistência gratuita para todas as cubanas e cubanos.
Paralelamente, durante estas seis décadas, 600 000 profissionais da Saúde cubanos emprestaram colaboração em 165 países. E mais recentemente, no período pandêmico de COVID-19, uns 3 000 integrantes do Contingente Henry Reeve deram serviços em 40 deles.
Aproximadamente 27 000 jovens de uma centena de nações se graduaram na Escola Latino-americana de Ciências Médicas (ELAM), e mais de 4 milhões de pessoas de baixas rendas na nossa região e da África recuperaram a visão com a Operação Milagre. Essa também é a Revolução: a coerência com o exemplo de Ernesto Guevara, o querido Che, a vontade permanente de praticar a solidariedade e partilhar o que temos, com a convicção profunda de que são médicos e não bombas, cooperação e não sanções, o que os povos precisam.
Tudo isso tem sido possível graças a que, em primeiro lugar, foi nacionalizado o ensino, deu-se cabo do analfabetismo e se desenvolveu uma profunda revolução na educação, que garante o acesso universal e gratuito a todos os cidadãos.
Com o programa cubano de alfabetização Eu sim posso, implementado em 30 nações, foram alfabetizados mais de 10 milhões de pessoas de praticamente todos os continentes. Mais de 70 000 estudantes estrangeiros se graduaram em Cuba e atualmente mais de 3 000 realizam estudos na nossa ilha.
O ensino superior, a ciência, a inovação, a biotecnologia, a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável são outras áreas destacadas pelas investigações e contribuições do talentoso ser nacional ao esforço por ultrapassar os obstáculos que nos impõem o bloqueio, a condição de país pequeno e as nossas próprias limitações. Nas potencialidades infinitas dessas forças combinadas, está baseado o Sistema de Ciência e Inovação na gestão de Governo.
Acreditamos firmemente na capacidade revolucionadora e transformadora da mente humana para tornar realidade os sonhos mais grandes. É um dos ensinamentos de Fidel que hoje podemos praticar em todos os âmbitos, porque antes houve uma revolução na educação, na ciência e inclusive nas políticas de desenvolvimento da mulher, que hoje é maioria determinante nos avanços que descrevemos.
É claro que esta é também a Revolução que tem garantido o direito de todo o povo ao desporto, e as condições sociais radicalmente novas em que se desenvolve a educação física e a atividade desportiva, bem como a sua massividade, têm permitido obter importantes êxitos e ocupar os primeiros lugares em numerosos eventos a nível internacional, apesar do número relativamente pequeno da população cubana.
Nossa cultura, reconhecida internacionalmente nas suas diversas manifestações, está ao serviço do povo, eliminando o caráter elitista de outras épocas para desenvolver a plenitude o mais autêntico da cultura nacional junto das contínuas contribuições da cultura universal.
Tem-se desenvolvido o processo de industrialização, foi incrementada a geração de eletricidade, foram construídas mais estradas e caminhos do que em toda a história anterior do país.
Essa é a Revolução que ganhou as liberdades democráticas para todos os trabalhadores ao colocar nas suas mãos a propriedade dos meios fundamentais de produção, o que se manifesta na participação popular crescente na gestão económica e na tomada de decisões nas questões do desenvolvimento económico-social do país.
Essa é a Revolução que liquidou a ordem jurídica burguesa para estabelecer um novo direito, baseado na legalidade socialista, referendado pela participação ativa do povo na elaboração e discussão de leis. E a que ao longo dos anos tem fortalecido e aprimorado o novo Estado socialista e estabelece os seus órgãos de Poder Popular acordes com os interesses do povo trabalhador.
Tudo o que tenho listado e muito mais é obra da Revolução, que tem conseguido sobreviver a uma política de perseguição, acosso e desgaste, de guerra económica que antes foi guerra militar também, porque tem desenvolvido, sem descuidá-la jamais, a capacidade defensiva das suas gloriosas Forças Armadas Revolucionárias e mantém alertas os seus órgãos de Segurança do Estado e Ordem Interna para esmagar todo assomo de agressão imperialista.
Essa é a Revolução que criou e pratica uma política internacional independente –o que ainda é um sonho para nações de similar desenvolvimento–; uma política internacional independente, de amizade fraterna, em estreita colaboração com a maioria dos países do mundo, em conformidade com os princípios do internacionalismo socialista; a integração com os países da América Latina e das Caraíbas; a amizade entranhável com os povos da Ásia, e de cooperação com todos os países que respeitam a nossa soberania nacional.
Nessa política ocupa um lugar central a relação com os povos da África, onde vários dos melhores filhos da Revolução têm escrito incontáveis páginas de heroísmo junto dos seus companheiros de arma africanos, que consolidaram a independência de Angola e de outras nações africanas e foram determinantes para o fim do apartheid.
Se a contrarrevolução de origem cubana, financiada, armada e treinada pela CIA, não conseguiu vencer Cuba em nenhum terreno, ao longo destes anos, essa é a obra da Revolução nos seus organismos e órgãos de inteligência e defesa da Segurança do Estado. E essa é uma das maiores razões pela que temos derrotado tantas vezes o poderoso inimigo da pequena Cuba, no político, no económico, no ideológico e no militar, convertendo o socialismo cubano em um facto histórico irreversível.
Com genuínas organizações populares e todas as vias possíveis abertas para a participação no processo revolucionário, tem-se forjado a sagrada e essencial unidade dos revolucionários dentro do Partido Comunista de Cuba e em torno a ele.
Essa é a Revolução, um fato fundamental, às vezes indiscritível, que nos transcende a todos em todas as ordens, mas que ao mesmo tempo nos inclui no individual e no coletivo, porque a Revolução somos todos, para além do muito que tem representado a Revolução na ordem material, mesmo que alguns o esqueçam na intensidade das carências atuais.
É uma alta consciência política na maioria do povo, que sente profundamente a Revolução, que a compreende, que entende as dificuldades e os erros e luta por vencê-los; que não tem perdido o entusiasmo revolucionário e que está impregnado de um extraordinário sentimento internacionalista.
A Revolução é o caminho para um homem e uma mulher novos ao proclamar e garantir os direitos à igualdade social da mulher, criando premissas para a sua libertação total e traçando a política adequada para alcançar plenamente esse objetivo, ao propor-se o desenvolvimento feliz da infância e favorecer as maiores possibilidades de crescimento material e espiritual para a juventude. Velando sempre porque desapareçam definitivamente todas as expressões práticas ou solapadas de discriminação ou exclusão pela cor da pele, orientação sexual ou preconceitos incompatíveis com a condição humana.
Bem sei que não esgoto com estas palavras a resenha mínima da obra dos 65 anos decorridos. Restam ainda muitas batalhas por contar, muitos méritos que salientar, incontáveis proezas que se calhar jamais conheceremos. Em uma Revolução sob assédio perpétuo, o silêncio também é uma arma, e a modéstia uma escola.
Os principais construtores desta colossal obra, os que a trouxeram invicta até nós, merecem o maior dos reconhecimentos, que será, sem dúvidas, o fato de ver que as seguintes gerações são leais à história.
Quando fazemos o reconto, mesmo mínimo, do atingido em condições de bloqueio genocida, sempre resistindo e superando adversidades, sempre crescendo moral e dignamente, mas com mil sonhos detidos e com infinitas aspirações adiadas, salta então uma pergunta: quanto mais imensa seria a obra sem esse cerco atroz bloqueando-nos?
A maioria do povo cubano sabe que só a unidade em torno ao Partido e à Revolução permitirá preservar a nação cubana e as conquistas económico-sociais. Essa certeza e a chegada do ano 66 da Revolução dão forças que nos oxigenarão no avanço rumo a novas e desafiantes metas.
A entrega absoluta dos próceres e dos seus continuadores da Geração do Centenário à causa da liberdade dos cubanos e da independência definitiva da pátria continuam a calar profundamente na juventude cubana desta época, nos muitos que cá estão e também na maioria dos que saem.
Os nossos jovens continuam a colocar o peito às balas da guerra económica e estão a fazer coisas admiráveis, convencidos de que sim se pode derrotar a um mesmo tempo a agressão externa e os travões internos.
Este é um dia de profundo significado para a nação, que tradicionalmente dedicamos a celebrar, como o faria Camilo Cienfuegos, com a alegria ganha no sacrifício, a sorte de continuarmos unidos e leais a essa herança de valor supremo.
Hoje estamos convocados a salvar a dignidade do futuro, evitando o erro e empenhados no acerto, com todas as armas da inteligência humana que distinguem o cubano e o máximo esforço, que ainda resta, colocados em função de resultados positivos imediatos, conscientes de que o que façamos tarde já não será útil.
Atre4vo-me a dizer, em nome de todos os que temos a responsabilidade de consegui-lo, que assumimos o compromisso conscientes do risco que supõe enfrentar qualquer mudança ou transformação económica e social em um país bloqueado com sanha e em um contexto internacional minado pela incerteza, a injustiça, o abuso e a indiferença dos poderosos.
Não nos cansaremos de demandar o levantamento do bloqueio e o fim da guerra económica. É um direito legítimo enfrentar-nos à hostil e arbitrária ordem económica internacional em igualdade de condições com o resto das nações, sem acosso nem perseguição financeira. E àqueles que dizem que o usamos como pretexto para a nossa ineficiência, uma vez mais lhes dizemos: tirem-nos o pretexto!
De mãos e pés atados não se vale. Jogo limpo, senhores imperialistas, e vamos ver quem ganha.
Porém, se preferirem ser condenados pela história a conta desse crime de lesa humanidade que é pretender a rendição de um país por fome e necessidade, se não eliminam o bloqueio, Cuba encontrará o modo de resolvê-lo.
Este país tem dignidade, talento e vontade suficientes para levantar-se com os seus próprios esforços por em cima do cerco e pulá-lo. Não será em um dia, mas o faremos!
A prepotência imperial, que tem convertido a sua política arbitrária de sanções unilaterais em uma espécie de epidemia global, será derrotada mais cedo do que tarde, com a articulação de forças e esforços de outros povos e governos injusta e irracionalmente condenados como o cubano por não aceitar as suas imposições e desígnios.
Diferentemente do império estadunidense, cada vez mais desmoralizado pelas suas pretensões hegemônicas, Cuba é respeitada e admirada no mundo pela sua permanente disposição à cooperação, à solidariedade, o intercâmbio justo, tudo o que a humanidade precisa hoje para reverter as perigosas tendências para o seu desaparecimento como espécie.
Compatriotas:
Resta muito por dizer, mas resta ainda mais por fazer. Perante a formosa bandeira que cada 1º de janeiro nos traz augúrios de como será o ano que começa, trazemos o compromisso de trabalhar sem descanso para que continue a flutuar com força a vontade de fazê-lo melhor.
Perante a pedra que guarda as sagradas cinzas de Fidel; perante o General de Exército e líder da Revolução, Raúl Castro Ruz; perante a Geração Histórica, que continua de pé ao nosso lado; perante a memória de todos os que tombaram ou venceram a combater pela definitiva independência de Cuba e ganharam para Santiago de Cuba o título honorífico de Cidade Herói, ratifiquemos o compromisso de mudar tudo o que tenha de ser mudado, sem renunciar a um só princípio da Revolução.
Cubanas e cubanos:
Os mambises continuarão a entrar em Santiago.
Como Raúl, no aniversário 60, hoje podemos expressar que depois de 65 anos de luta, sacrifício e vitórias, vivemos em um país livre, soberano e justo.
Viva por sempre a Revolução Cubana! (Exclamações de: “Viva!”)
Pátria ou Morte!
Socialismo ou Morte!
Venceremos!
(Ovação.)
(Cubaminrex-Presidência)

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