Discurso pronunciado por Miguel Mario Diaz-Canel Bermúdez, Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente da República, no encerramento da VI Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, no Palácio das Convenções, a 31 de janeiro de 2025, “Ano 67 da Revolução”.
(Versões Taquigráficas - Presidência da República)
Caras amigas, caros amigos, martianas e martianos que lutam pelo equilíbrio do mundo com as armas das ideias, as únicas capazes de salvar e emancipar os seres humanos:
Desejo começar por agradecer-lhes a sua participação, entusiasta e contribuidora, neste evento convocado por um homem de 172 anos que, contudo, não é um homem velho: José Martí é um homem eterno, algo que não precisa de ser explicado em Cuba, porque o sentimos por todas partes.
E precisa explicar-se menos perante um auditório como este, porque justamente dessa eternidade que converte José Martí em um contemporâneo nosso, mas também das meninas e meninos que estão por nascer, é do que mais têm falado vocês nestes dias dedicados a Martí em Havana.
Sempre gosto de começar por agradecer aos visitantes a ousadia de tornar efetiva a sua solidariedade com Cuba de maneira presencial, porque não só o fazem assumindo custos de viagem e estadia, mas que se enfrentam a ameaças e castigos, especialmente concebidos para condenar-nos à solidão, visto que nenhuma outra arma tem funcionado na tentativa de render o povo rebelde e digno de Fidel e Raúl Castro, líderes da geração que não deixou morrer Martí no ano do seu centenário.
A massiva participação nesta conferência, com mais de mil pessoas de 98 países, incluídos mais de 400 delegados cubanos é, além disso, um tremendo incentivo para o povo de Cuba, porque é um reconhecimento à sua heroica resistência no contexto de um mundo em ameaçante desequilíbrio para a espécie humana, onde até a dignidade é negociada.
Disso sabe muito bem Cuba, que há 66 anos está a pagar o altíssimo preço de não ter preço. Porque, como disse o homem eterno que nos convoca e nos junta “a pobreza passa: o que não passa é a desonra que com o pretexto da pobreza costumam deitar os homens sobre si próprios”.
Martí foi perfeitamente definido pelo poeta cubano José Lezama Lima como “o mistério que nos acompanha”, uma expressão que poderia ser interpretada como as profundezas do saber e do amor que, de tão imensas, nunca chegam a ser decifradas totalmente.
E é muita verdade: aos cubanos, Martí nos acompanha de modo incessante. A sua presença vai de um simples busto dedicado a ele numa escola, numa oficina mecânica, numa fábrica ou num hospital, até ao deslumbramento que nos continua a assaltar enquanto lemos os seus versos ou as suas definições que parecem escritas para o século XXI. E essa descoberta dá-se enquanto transitamos pela admiração total perante as coerências do seu pensamento e a sua forma de agir.
Contudo, Martí acompanha não apenas aos cubanos, mas a todos os cidadãos do mundo que acreditam com firmeza na possibilidade de melhorar e equilibrar este mundo, e que o fazem a contracorrente da barbárie hoje visível no apogeu da cobiça e nas dores infinitas que provocam os cobiçosos pelo seu desprezo absoluto ao sofrimento humano.
Falo, em primeiro lugar do holocausto palestiniano nas mãos do Governo de Israel e dos que alimentam esses desejos de matar, mas também da perseguição brutal e da humilhante deportação, esposados e acorrentados, de milhares de migrantes que se quebraram as costas sob o látego do desequilíbrio económico que os obrigou a emigrar. Desde aqui pedimos que Palestina seja livre! (Aplausos.)
E falo, é claro, de Cuba, centenas de vezes vítima do terrorismo, cujo nobre nome têm incluído uma e outra vez numa lista infame de supostos patrocinadores do terrorismo, para que os obedientes bancos internacionais fechem as portas a qualquer trâmite comercial ou financeiro que tribute a solucionar as necessidades básicas do povo cubano.
Falo de Cuba, à qual os EUA lhe roubou um pedaço de terra em nome de uma amizade que jamais honrou ao usar esse território, ilegalmente ocupado por mais de um século, como base militar e prisão onde são torturadas e encerradas em um limbo legal pessoas que o império declara inimigas e culpadas, na maioria das vezes sem uma só evidência do seu crime.
Como se não bastasse essa infâmia que tem sido condenada centenas de vezes por tribunais internacionais, agora nos dizem que à Base Naval norte-americana em Guantánamo enviarão 30 000 deportados. De novo a ilegalidade, o desconhecimento dos tratados internacionais, e a ideia inaceitável de que existem países e pessoas superiores ao resto da humanidade.
Apesar dos pesares, como por cá dizemos, e das ordens presidenciais dos amos do mundo, não vamos calar face à infâmia nem vamos perder a confiança e a fé no melhoramento humano, na vida futura e na utilidade da virtude (Aplausos).
Martí nos acompanha também no otimismo, porque nele temos o ser esperançado pelo que clama o Papa Francisco, e temos o lutador que chegou a expressar que “A honra humana é imperecedoira e irredutível, e nada a desintegra nem amingua, e quando de um lado se consegue oprimir e desvanecer, salta, de outro, inflamada e poderosa”.
Por afirmações como essa, ele para nós se converte em referente e em alguém imprescindível para empreender a luta quotidiana pela justiça em um planeta a ponto de agonizar sob o império da cobiça. Não nos rendemos! Aprendemos com Martí que da dor e da necessidade de pôr-lhe termo, nascem as forças e a vontade para enfrentar e vencer os maiores desafios.
A grande poetisa e martiana devota Fina García Marruz, estudando sem descanso a obra do Apóstolo, apontava para algumas chaves para entender as rotas da radicalização do seu pensamento político.
Sobre Martí disse Fina, a companheira do também mestre e bem martiano Cintio Vitier, o seguinte: “O organizador revolucionário nasce no Presídio. Ali compreendeu que era irrealizável construir, com ódio, uma revolução triunfante. Pensava que a nossa luta obedecia à justiça, não à vingança. Com os seus encendidos discursos, converteu em amigo o pior dos inimigos. Acendeu a chama do amor”.
E é Martí o mesmo ser humano que –talvez pela sua essência poética, pela sua sensibilidade extrema e a sua capacidade de análise que lhe permitiam ver onde outros permaneciam cegos– vai-se radicalizando a tal ponto que em carta inconclusa endereçada ao seu irmão queridíssimo, Manuel Mercado, deixa escrito um parágrafo medular para o destino de Cuba, que quase todos os cubanos sabemos de cor.
Martí expressa: “já estou todos os dias em perigo de dar a minha vida pelo meus país e pelo meu dever –visto que o entendo e tenho ânimos com que realiza-lo– de impedir a tempo com a independência de Cuba que se estendam pelas Antilhas os Estados Unidos e caiam, com essa força a mais, sobre as nossas terras de América. Quanto fiz até hoje, e farei, é para isso”.
Tal parece que o disse tudo e para todos os tempos, como se não tivesse tido barreiras de época. Lê-se Martí e as suas ideias continuam a ser de uma utilidade inesgotável, embora não tenha sido testemunho de descobertas que a humanidade tem vivido depois que ele tombasse heroicamente em combate.
Poucos como ele conseguiram enxergar, na própria hora do seu nascimento, este perigo que agora se desborda perante os nossos olhos, de um império moderno que desrespeita direitos em nome de um mandato divino, disposto a arrasar com os próprios equilíbrios da civilização.
Tal parece que ele se expressou para estas horas ao vaticinar que “quando os impérios chegam ao cume da sua prosperidade, estão à beira do precipício que os devora”.
Ele definiu como ninguém o “vizinho cobiçoso, que confessamente nos deseja” e pediu para estarmos alertas “face à cobiça possível de um vizinho forte e desigual”; e no caso de Cuba, falou sobre “a independência do arquipélago feliz que a natureza colocou no nó do mundo”.
Ele sabia que, por razões de origem, enquanto os do Norte compravam, os do Sul chorávamos, e por isso colocou ênfase na necessidade de entender essa diferença essencial, para que apenas fosse viável uma ponte de respeito mútuo entre dois universos culturais.
Nunca promoveu a animadversão contra os filhos bons e talentosos da massa continental do Norte, mas a sua reflexão foi sim de suma clareza no que se refere aos riscos de aceitar que as nações recém libertadas do decadente império espanhol caíssem subordinadas em uma relação desigual com o novo império em gestação.
Isso pode ser verificado no seu imprescindível ensaio “Nossa América”, onde denuncia: “Já não podemos ser o povo de folhas, que vive no ar, carregado de flores, estalando ou zumbindo, conforme a acaricia o capricho da luz, ou seja, açoitado ou podado pelas tempestades; as árvores devem formar fileiras, para que não passe o gigante das sete léguas! É a hora da avaliação e da marcha unida, e deveremos marchar bem unidos, como a prata nas raízes dos Andes”.
Essa alerta de Martí serve hoje para o mundo inteiro e não só para a nossa América, encaramos todos, de alguma maneira, as apetências da Roma do século XXI que se tem mostrado capaz de passar, prepotente, por sobre a diversidade humana.
Certamente somos muitos, inclusive neste auditório martiano, os que nos temos perguntado por que a ênfase de Martí na centralidade de Cuba e por extensão das Antilhas no equilíbrio do mundo.
O doutor Armando Hart Dávalos, pai destes eventos Pelo Equilíbrio do Mundo, respondeu a interrogante em mais de um texto ou conferência. Cito um dos seus artigos:
“A pergunta que devemos fazer-nos é por que Martí queria uma Cuba livre, umas Antilhas livres e uma América livre. Expressou-o de uma maneira tão diáfana que não deveria dar lugar a dúvidas ou confusões. No seu artigo por ocasião da comemoração do segundo aniversário do Partido Revolucionário Cubano, publicado em 1894, assinalou:
No centro de América estão as Antilhas, que seriam, se escravas, mero pontão da guerra de uma república imperial contra o mundo zeloso e superior que se prepara já para negar-lhe o poder, –mero fortim da Roma americana; –e se livres– e dignas de sê-lo pela ordem da liberdade equitativa e trabalhadora –seriam no continente a garantia do equilíbrio, a da independência para a América espanhola ainda ameaçada e a da honra para a grande república do Norte, que no desenvolvimento do seu território– infelizmente, feudal já, e repartido em secções hostis –encontrará mais segura grandeza do que na inobre conquista dos seus vizinhos menores, e no combate desumano que com a posse delas abriria contra as potências do orbe pelo predomínio do mundo.”
Outro martiano indispensável na hora de entender as cumpridas predições do Apóstolo é o doutor Pedro Pablo Rodríguez, que cá está, paciente e atencioso diretor da Edição Crítica das Obras Completas do Mestre. Do seu substancial ensaio “José Martí e o seu conceito do equilíbrio do mundo” não se pode prescindir para chegar ao fundo das angústias martianas sobre o equilíbrio do mundo. E aqui será mais comprido o que leio do autor Pedro Pablo, porque me parece fundamental o excerto a seguir:
“Pensador de estilo aforístico e polissémico, desde os inícios da sua estadia em Nova Iorque alertou sistematicamente acerca do perigo expansionista que representavam os nascentes monopólios nos Estados Unidos, que controlavam cada vez mais as cúpulas governamentais e se dedicavam ao exercício da política mediante a corrupção da democracia, e impunham uma política externa controladora dos mercados latino-americanos fornecedores de matérias-primas e alimentos, e consumidores da indústria nortenha. Para esses interesses plutocráticos, que Martí estimava lesivos também para as maiorias populares dos Estados Unidos, não havia, do seu ponto de vista, fronteiras mercantis nem geográficas para impedir, com o territorial, a consolidação do domínio económico sobre América Latina.
“Prova de que não eram suposições nem devaneios de poeta, mas uma brilhante análise das realidades do seu tempo e uma lúcida mirada ao futuro imediato é que entre 1898 e 1930 EUA interveio militarmente, e até governou de maneira direta nalguns casos, em Cuba, Porto Rico, Panamá, Colômbia, República Dominicana, Haiti, México e Nicarágua”.
Mais à frente explica Pedro Pablo algo que está bem presente hoje, nos nossos dias, e diz Pedro Pablo: “Obviamente a previsível proximidade da abertura do Canal de Panamá fez coincidir Martí com muitos observadores da época na perceção de que com essa via se aumentaria a importância da zona antilhana e centro-americana para a geopolítica dos Estados hegemônicos nessora. Tão convencido estava da importância de um equilíbrio entre as grandes potências que no Manifesto que escreveu na cidade dominicana de Montecristi para explicar por que se tinha iniciado em fevereiro de 1895 a última Guerra de Independência de Cuba, assinala: ‘A guerra de independência de Cuba, nó do feixe de ilhas onde se há de cruzar, no prazo de poucos anos, o comércio dos continentes, é acontecimento de grande alcance humano, e serviço oportuno que o heroísmo judicioso das Antilhas presta à firmeza e trato justo das nações americanas, e ao equilíbrio ainda hesitante do mundo’”.
Até aqui o imprescindível trecho do ensaio do nosso querido Pedro Pablo. Com certeza, vocês encontrarão em vários momentos do aqui lido, quanto vislumbrou, e com quanta razão José Martí, dos graves perigos que hoje temos à frente, quando ainda não somos sequer a América unida que possa encará-los.
Digamo-lo com absoluta clareza. A conduta e as pretensões agressivas dos Estados Unidos, que se manifestam com o governo recém-instalado, ameaçam a própria população desse país, sobre todo a os segmentos mais humildes e despojados. Ameaçam também a paz internacional, incluída a da nossa região de América Latina e as Caraíbas. Não é possível ignorar essa realidade.
No cenário político desse país, as forças políticas, económicas e sociais que mais influência têm cobrado, abraçam ideias xenófobas, racistas, discriminatórias e de supremacia que a humanidade se esforçou por ultrapassar após o fim da Segunda Guerra Mundial e a derrota do nazifascismo já lá vão 80 anos.
É um fenómeno preocupante que se observa em vários países de diversas regiões. Partidos políticos e figuras políticas reacionárias têm ido ganhando terreno. Manifesta-se inclusive com o apoio frequente e perigoso de setores pobres, humildes e da classe trabalhadora, que se identificam com os políticos e programas que são exponentes dessas correntes. É um fenómeno muitas vezes reflexo do desespero, da impotência e do pessimismo perante a crescente injustiça.
Essas correntes são próprias e fruto do capitalismo, da sua natureza egoísta, depredadora e excludente. Tomaram força como consequência da expansão das políticas neoliberais nos últimos 40 anos e do rotundo fracasso destas para responder aos interesses e necessidades da maioria, garantir melhores níveis de vida e promover a justiça social.
São políticas cujo resultado mais palpável é o crescimento das desigualdades, da polarização social, da exclusão, da desconfiança para com o próximo e as fricções culturais, étnicas e religiosas. Os seus resultados também são a emigração desordenada, o crescimento da ilegalidade, o narcotráfico e a corrupção.
Em grande medida têm contribuído à rosão do poder soberano de vários países, à perda da verdadeira livre determinação e à chegada ao poder de governos claramente subordinados à vontade do imperialismo e das grandes transnacionais e corporações que o alimentam.
Infelizmente, inclusive quando têm governado forças progressistas ou de esquerda, elas, em determinadas oportunidades, têm carecido de tempo, da força, da vontade ou da suficiente independência para encarar os programas económicos neoliberais que estão na base de muitos dos problemas políticos e sociais que hoje padecem os países em desenvolvimento.
A ordem internacional nascida do fim da Segunda Guerra Mundial, que em boa medida é a que hoje prevalece, é herdeira do colonialismo, da história de explotação, pilhagem e escravidão que enriqueceu um conjunto específico de potências coloniais e as suas sociedades, a custa do sofrimento, o desarraigo, a destruição, a submissão e o subdesenvolvimento dos antigos territórios colonizados.
O imperialismo como sistema de dominação não é um fenómeno novo. Contudo, a era da globalização neoliberal tem adquirido formas mais sofisticadas e menos visíveis. Já não se trata apenas da ocupação territorial direta, embora ela continua como prática vigente, como sofrem em carne própria os heroicos irmãos palestinianos. Manifesta-se também no controlo de mercados, recursos naturais, cadeias de fornecimento e, sobre tudo, da tecnologia e da informação.
As oligarquias que hoje dominam o mundo não só acumulam riqueza, senão que concentram poder político, cultural e social, perpetuando um benefício que favorece uns poucos às custas de muitos. As grandes corporações industriais, os conglomerados financeiros e os gigantes tecnológicos teceram uma rede de influência que transcende fronteiras. As suas decisões atingem a vida de milhões de pessoas, desde o acesso a medicamentos até a privacidade dos nossos dados. Estas elites não só procuram maximizar os seus lucros, mas também consolidar a sua hegemonia, impondo estândares e normas que perpetuam a dependência do que crescentemente é reconhecido como o Sul Global.
Se bem o colonialismo foi abolido quase absolutamente na segunda metade do século XX, as suas condições e desfasamentos têm prevalecido com novas modalidades.
Essa é a essência da ordem internacional atual e explica a realidade inaceitável de que a fenda entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos tende a alargar-se, longe de estreitar-se, sem perspetivas de que mude essa tendência.
Sobram os documentos, declarações, discursos e resoluções das Nações Unidas e das suas agências que descrevem esse cenário. As propostas de como responder e o que fazer têm já uma história que data pelo menos da década de 1960 do século passado. Sabe-se bem que a possibilidade de uma mudança e a perspetiva de uma ordem internacional mais justa e sustentável têm encontrado a férrea resistência das grandes potências económicas e militares, representativas em grande medida das antigas potências coloniais.
As nações em desenvolvimento, e em especial os seus povos, têm direito a sonhar que um mundo melhor é possível!, e têm o direito e o dever de lutar por ele! (Aplausos.)
Isso não será possível se não se avança significativamente em prol de uma ordem internacional diferente da atual. Tem de ser uma ordem verdadeiramente democrática, em que todas as nações tenham a oportunidade de contribuir e estar realmente representadas em igualdade de condições. Deve ser uma ordem sustentável, que promova a paz, a segurança de todos, a justiça social, a prosperidade equitativa, o respeito à pluralidade cultural, étnica e religiosa; que promova o acesso democrático à ciência e à tecnologia, e os direitos humanos para todos, não apenas para elites privilegiadas; que tenha por base a solidariedade, a cooperação e o respeito ao direito de cada país a escolher o seu sistema político, económico e social sem ingerência estrangeira.
Nessa nova ordem o fundamental é o seu conteúdo e o compromisso que sejamos capazes de mobilizar para atingi-la.
Os desafios para consegui-lo ou inclusive aproximar-nos dela são imensos. Como faze-lo é uma pergunta difícil de responder. Porém, não há dúvida de que se precisa de unidade, estratégia e uma visão clara do que queremos conseguir. E, como disse Fidel: Plantar ideias!, Plantar ideias!, Plantar ideias!; e plantar consciência! (Aplausos.)
Depois de recapitular José Martí e de avaliar o momento atual, dissipam-se todas as dúvidas. É ele que nos avisa e também é o antídoto contra todos os desequilíbrios, porque nos ajuda a entender a única linguagem possível, por comum: a humana.
O seu espírito nos conduz à defesa das raízes ancestrais, das nossas identidades que os novos colonizadores sonham com desmantelar, da nossa dignidade, da nossa possibilidade criadora, da unidade tão necessária, da autoestima por ser estas mulheres e homens naturais que somos, da coragem, do estoicismo, da sensibilidade, dessa força poderosa sobre a qual Martí disse: “Pelo amor se vê. Com o amor se vê. O amor é quem vê” (Aplausos).
Desde esta tribuna que erigimos na sua memória, desejo partilhar com vocês a fervente vontade de que Martí nos continue convocando, que o otimismo dele, erguido como uma espada, inclusive nos cenários mais adversos, seja horizonte e magistério e que, abrigados nele, jamais nos abandone a certeza de que, como ele disse com toda firmeza: “A honra pode ser profanada. A justiça pode ser vendida. Tudo pode ser desgarrado. Mas a noção do bem flutua sobre tudo, e não naufraga jamais” (Aplausos).
Tenhamos como anseio legítimo converter-nos, com o esforço diário e os melhores sonhos, em verdadeiros discípulos de José Martí, bem como Fidel o fez e junto a ele a Geração do Centenário de Martí, como o fizeram tantos homens e mulheres dignos que trouxeram o Apóstolo até a nossa época.
Com certeza, por esses caminhos encontraremos, dia-a-dia, sentido a sua afirmação tremenda de que “A felicidade existe sobre a terra; e ela é conquistada com o exercício prudente da razão, do conhecimento da harmonia do universo, e a prática constante da generosidade”.
Desde Cuba livre e soberana, que resiste e cria sem cansar-se, levando no peito “as doutrinas do Mestre”, como Fidel perante os que lhe julgavam em 1953, ratificamos aos martianos de todas partes que nos têm acompanhado nestes dias, que continuaremos a lutar pelo equilíbrio do mundo, como contribuição à preservação da espécie humana!
Viva Martí! (Exclamações de: “Viva!”)
Vivam as suas ideias! (Exclamações de: “Viva!”)
Até a Vitória Sempre! (Exclamações de: “Venceremos!”)
(Aplausos prolongados.)
(Cubaminrex-Presidência)
