Embaixada de Cuba participa de Aula Magistral sobre os desafios do desenvolvimento sustentável no Sahel por ocasião do Dia de África

A Embaixada de Cuba em Angola participou da Aula Magistral organizada pela Faculdade de Ciências Jurídicas da Universidade Independente de Angola (UNIA), como parte das actividades comemorativas pelo Dia de África, um espaço académico dedicado à análise dos principais desafios políticos, de segurança e de desenvolvimento que o continente africano enfrenta actualmente.

A actividade reuniu estudantes, professores, pesquisadores, representantes do Corpo Diplomático e convidados de diversos sectores académicos interessados em refletir sobre os desafios contemporâneos de África e as perspectivas para o seu desenvolvimento sustentável. Em representação da Embaixada de Cuba esteve presente o conselheiro de Imprensa e Cultura, Jorge Trujillo.

As palavras de abertura foram proferidas por Carlos Yoba, reitor da Universidade Independente de Angola, que destacou a importância das instituições de ensino superior como espaços para a formação de cidadãos comprometidos com a paz, a integração africana, o conhecimento científico e a busca de soluções para os desafios que o continente enfrenta. Além disso, destacou a necessidade de fortalecer o debate académico sobre as questões geopolíticas e de segurança que influenciam directamente o desenvolvimento de África.

A Aula Magistral foi ministrada pelo professor Wilton Micolo, especialista em Relações Internacionais e Estudos Africanos, que abordou o tema "Os desafios do desenvolvimento sustentável em África diante das crises político-militares na faixa do Sahel".

No início da sua exposição, o académico explicou que o Sahel constitui uma vasta faixa geográfica e climática localizada entre o deserto do Saara e as regiões mais húmidas da África subsaariana. Esta vasta zona estende-se desde a costa atlântica até ao mar Vermelho e compreende, total ou parcialmente, países como a Mauritânia, o Senegal, a Gâmbia, o Mali, o Burkina Faso, o Níger, a Nigéria, o Chade, os Camarões, o Sudão e a Eritreia. Devido à sua localização estratégica e à complexidade das suas dinâmicas políticas, económicas e sociais, o Sahel tornou-se uma das regiões mais sensíveis para a estabilidade e o desenvolvimento do continente africano.

Durante a sua intervenção, o professor Micolo fez uma análise detalhada dos factores que contribuíram para a deterioração da segurança e governabilidade na região. Salientou que fenómenos como os golpes de Estado, a erosão democrática, o enfraquecimento institucional, a expansão de grupos armados e o crescimento do jihadismo africano constituem alguns dos principais obstáculos para a consolidação de um modelo de desenvolvimento sustentável.

O especialista referiu-se particularmente às recentes mudanças políticas ocorridas no Mali, no Burkina Faso e no Níger, países onde foram instauradas junções militares após a interrupção da ordem constitucional. Neste contexto, levantou uma questão fundamental para o debate político africano contemporâneo: se estas juntas militares representam uma solução eficaz para os problemas estruturais do Sahel ou se constituem apenas uma resposta temporária a crises muito mais profundas relacionadas com a governação, a segurança e o desenvolvimento económico.

Igualmente, abordou a crescente actividade de organizações extremistas presentes na região, entre elas a Al-Qaeda, o Estado Islâmico e o Boko Haram, cujos actos de violência têm contribuído significativamente para a deterioração das condições de segurança. Citando dados do Índice Global de Terrorismo (GTI) 2025, ele apontou que 51% das mortes por terrorismo registradas em todo o mundo ocorreram no Sahel, um número que reflete a gravidade da ameaça que enfrenta actualmente esta região africana.

Micolo salientou que a persistência dos conflitos armados e da violência extremista impede o avanço efectivo em direcção ao desenvolvimento sustentável, ao afectar a estabilidade institucional, desencorajar os investimentos, provocar deslocamentos massivos de população e limitar o acesso de milhões de pessoas a serviços essenciais como a educação, a saúde e o emprego.

A estes desafios, acrescentou, somam-se a escassez de recursos, a fragilidade das estruturas estatais e os efeitos das mudanças climáticas, factores que aumentam as tensões sociais e geram uma crescente competição entre os Estados e os grupos armados pelo controle dos escassos recursos.

O académico salientou igualmente que as diversas iniciativas internacionais implementadas durante os últimos anos para estabilizar a região produziram resultados limitados, sem conseguir eliminar as causas profundas da instabilidade. Nesse sentido, defendeu a necessidade de soluções integrais que combinem segurança, fortalecimento institucional, inclusão social, desenvolvimento económico e cooperação regional.

Nas suas conclusões, o professor advertiu que o futuro do Sahel constitui um dos maiores desafios estratégicos para a África e afirmou que se o continente fracassar na estabilização e desenvolvimento desta região, não só enfrentará uma crise regional prolongada, mas também uma ameaça directa à estabilidade africana e ao ideal de desenvolvimento sustentável promovido pela União Africana e pela comunidade internacional.

A conferência deu lugar a um amplo intercâmbio entre estudantes e professores, que fizeram perguntas sobre as causas da instabilidade no Sahel, o papel dos actores internacionais, as perspectivas de integração africana e os mecanismos necessários para fortalecer a paz e a segurança no continente.

A participação da Embaixada de Cuba nesta actividade reafirma o seu interesse em apoiar iniciativas académicas que incentivem o estudo dos assuntos internacionais, o intercâmbio de conhecimentos e a reflexão crítica sobre os desafios contemporâneos que enfrentam África e o mundo.

A celebração do Dia de África foi também uma oportunidade para realçar a importância da cooperação entre as nações africanas e os seus parceiros internacionais na construção de um continente mais estável, próspero e sustentável para as futuras gerações.

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