Catete, Angola. — A Embaixada da República de Cuba na República de Angola participou do início da programação anual da Fundação Dr. António Agostinho Neto, com a realização de uma nova edição do projecto “Ciclo de Conferências Netianas”, celebrado no Centro Cultural Dr. António Agostinho Neto, sob o tema: “Agostinho Neto: Da literatura à estratégia – aspectos sociológicos da sua trajectória”.
As palavras de abertura ficaram a cargo de Cherone Campos, em representação da presidente da Fundação e viúva do primeiro Presidente da República de Angola, Maria Eugénia Neto. Na sua intervenção, realçou o exemplo que António Agostinho Neto ainda representa para as novas gerações, sublinhando a sua constante promoção da unidade de todos os angolanos como pilar essencial na construção da nação.
A actividade académica consistiu em três palestras ministradas pelos professores António Quino, João Baptista de Jovita e Celso Malavoloneke. Os palestrantes fizeram uma retrospectiva completa da vida do líder angolano, desde a sua infância até o seu desempenho como Presidente da República, ressaltando a maturidade política e intelectual que ele adquiriu ao longo da sua trajetcória.
Durante as intervenções, foi destacada a sua figura como humanista, filósofo-poeta, médico, militar e homem de Estado. Sua obra poética foi analisada como expressão da memória de luta do povo angolano, como um apelo permanente à unidade nacional e como um lembrete de que todos os cidadãos angolanos têm responsabilidade na construção da pátria. Da mesma forma, foi sublinhada a actualidade do seu pensamento e a necessidade de continuar a ler e estudar a sua obra.
Em mais de uma ocasião, foram ouvidas mensagens de solidariedade a Cuba diante da complexa situação que atravessa o país caribenho. Em resposta, o embaixador de Cuba em Angola, Oscar León González, agradeceu o convite e as palavras de apoio expressas pelos palestrantes e participantes.
O diplomata cubano salientou que as dificuldades atuais enfrentadas por Cuba são resultado de políticas promovidas por sectores de poder nos Estados Unidos que ainda não aceitam a ideia de uma Cuba totalmente independente. Lembrou, além disso, que como afirmou o comandante Fidel Castro, o apoio cubano a Angola constituiu um acto de gratidão, não apenas um princípio da Revolução Cubana, e fez um reconhecimento histórico aos milhares de homens e mulheres africanos que foram levados como escravos para Cuba e que contribuíram decisivamente para a liberdade do povo cubano, inclusive integrando o Exército Libertador.
O Embaixador destacou igualmente o carácter simbólico do evento, ao coincidir com o 50º aniversário da primeira visita de Fidel Castro a Angola e o centenário de seu nascimento, datas que reforçam o significado histórico dos laços entre os dois povos.
A participação da Embaixada de Cuba nesta importante jornada académica reafirma os profundos laços de amizade, solidariedade e cooperação entre Cuba e Angola, bem como o compromisso compartilhado com a preservação e difusão do legado do Dr. António Agostinho Neto.
