Intervenção de Cuba no Segmento de Alto Nível da Conferência de Desarmamento. Fevereiro de 2025.

Intervenção de Cuba no Segmento de Alto Nível da Conferência de Desarmamento. Fevereiro de 2025.

Senhor presidente:

Em 2025 as Nações Unidas comemoram o seu 80º aniversário. Data tão relevante vê-se enevoada por uma crise multidimensional global que ultrapassa a capacidade de resposta da organização e enfraquece o multilateralismo. Os hegemonismos, a dominação, coerção e os discursos belicistas, de ingerência e de intervenção aumentam, enquanto milhões de seres humanos ficam expostos aos efeitos da pobreza, a guerra e a corrida aos armamentos.

Apesar do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, largamente esperado e demandado pela maioria esmagadora da comunidade internacional, o povo palestiniano continua a ser vítima de crimes de guerra e lesa humanidade, do regime de Apartheid e de punição coletiva provocadas por Israel, a Potência Ocupante, durante mais de 75 anos. 

Só nos últimos 15 meses deste genocídio, Israel tem provocado a morte de mais de 47 mil palestinianos. Desde o início da escalada, mais de 13 mil, crianças e 7 mil mulheres foram vítimas da violência em Gaza.  

Esta monumental injustiça tem contado com a cumplicidade e o apoio financeiro, político, militar e logístico do governo dos Estados Unidos, que agora propõe forçar a saída dos palestinianos da sua terra, com o claro objetivo de usurpa-la indefinidamente. Tal pretensão resulta inaceitável. É o próprio governo que impõe criminosas medidas coercitivas unilaterais, como o bloqueio económico, comercial e financeiro contra Cuba, que dura há mais de 65 anos, e que elabora listas espúrias e arbitrárias de países supostamente patrocinadores do terrorismo. 

Senhor presidente:

Continuam a ser dedicados à corrida aos armamentos quantiosos recursos indispensáveis para o desenvolvimento sustentável dos nossos povos. A Despesa militar mundial, incentivada pela retórica belicista dos Estados Unidos da América, aumentou por nono ano consecutivo, ultrapassando ao 2,4 bilhões de dólares em 2023.

O perigo iminente de reeditar os bombardeamentos nucleares em Hiroxima e Nagasaki continuará latente enquanto não forem eliminadas de forma transparente, completa, irreversível e verificável todas as armas nucleares. 

Inspirados na Proclama de América Latina e as Caraíbas como Zona de Paz, a nossa região tem identificado o desarmamento nuclear como uma prioridade.

Cuba reitera o seu apelo aos Estados-membros da Conferência de Desarmamento para se juntarem ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares (TPAN). A nossa posição se sustenta no pensamento humanista do Comandante-em-Chefe Fidel Castro, lutador incansável pelo desarmamento nuclear, que expressou: “Em uma guerra nuclear o dano colateral seria a vida da humanidade”. 

Senhor presidente:

A Conferência de Desarmamento deve deixar de lado os debates retóricos e cumprir com o seu mandato. A adoção de um instrumento juridicamente vinculante que impeça e proíba a corrida aos armamentos no espaço ultraterrestre, e outro que outorgue garantias de segurança aos Estados não possuidores de armas nucleares, seria um primeiro passo importante.

Liberemos as gerações vindouras do flagelo da guerra. Façamos prevalecer o direito dos povos à paz, ao desenvolvimento e à justiça.

Muito obrigado.

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