Senhor presidente:
Em 2025 as Nações Unidas comemoram o seu 80º aniversário. Data tão relevante vê-se enevoada por uma crise multidimensional global que ultrapassa a capacidade de resposta da organização e enfraquece o multilateralismo. Os hegemonismos, a dominação, coerção e os discursos belicistas, de ingerência e de intervenção aumentam, enquanto milhões de seres humanos ficam expostos aos efeitos da pobreza, a guerra e a corrida aos armamentos.
Apesar do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, largamente esperado e demandado pela maioria esmagadora da comunidade internacional, o povo palestiniano continua a ser vítima de crimes de guerra e lesa humanidade, do regime de Apartheid e de punição coletiva provocadas por Israel, a Potência Ocupante, durante mais de 75 anos.
Só nos últimos 15 meses deste genocídio, Israel tem provocado a morte de mais de 47 mil palestinianos. Desde o início da escalada, mais de 13 mil, crianças e 7 mil mulheres foram vítimas da violência em Gaza.
Esta monumental injustiça tem contado com a cumplicidade e o apoio financeiro, político, militar e logístico do governo dos Estados Unidos, que agora propõe forçar a saída dos palestinianos da sua terra, com o claro objetivo de usurpa-la indefinidamente. Tal pretensão resulta inaceitável. É o próprio governo que impõe criminosas medidas coercitivas unilaterais, como o bloqueio económico, comercial e financeiro contra Cuba, que dura há mais de 65 anos, e que elabora listas espúrias e arbitrárias de países supostamente patrocinadores do terrorismo.
Senhor presidente:
Continuam a ser dedicados à corrida aos armamentos quantiosos recursos indispensáveis para o desenvolvimento sustentável dos nossos povos. A Despesa militar mundial, incentivada pela retórica belicista dos Estados Unidos da América, aumentou por nono ano consecutivo, ultrapassando ao 2,4 bilhões de dólares em 2023.
O perigo iminente de reeditar os bombardeamentos nucleares em Hiroxima e Nagasaki continuará latente enquanto não forem eliminadas de forma transparente, completa, irreversível e verificável todas as armas nucleares.
Inspirados na Proclama de América Latina e as Caraíbas como Zona de Paz, a nossa região tem identificado o desarmamento nuclear como uma prioridade.
Cuba reitera o seu apelo aos Estados-membros da Conferência de Desarmamento para se juntarem ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares (TPAN). A nossa posição se sustenta no pensamento humanista do Comandante-em-Chefe Fidel Castro, lutador incansável pelo desarmamento nuclear, que expressou: “Em uma guerra nuclear o dano colateral seria a vida da humanidade”.
Senhor presidente:
A Conferência de Desarmamento deve deixar de lado os debates retóricos e cumprir com o seu mandato. A adoção de um instrumento juridicamente vinculante que impeça e proíba a corrida aos armamentos no espaço ultraterrestre, e outro que outorgue garantias de segurança aos Estados não possuidores de armas nucleares, seria um primeiro passo importante.
Liberemos as gerações vindouras do flagelo da guerra. Façamos prevalecer o direito dos povos à paz, ao desenvolvimento e à justiça.
Muito obrigado.
CubaMinrex
