Novo livro recorda a história comum de Angola e Cuba

 (Prensa Latina).- Um novo livro vem juntar-se à lista de obras que contam a história dos povos de Cuba e Angola, cujos filhos se uniram para defender a independência, soberania e integridade territorial da nação africana.

Desventuras da guerra, prisioneiros cubanos em Angola, do coronel reformado Manuel Rojas, tem a particularidade de refletir um capítulo pouco conhecido: o dos nascidos na ilha que foram capturados pelas diferentes forças beligerantes durante o período de participação cubana no conflito (1975-1989), em apoio ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

A obra, apresentada em Luanda, pretende transmitir às novas gerações esta página de sacrifício escrita por Cuba, e contribuir para o esclarecimento dos factos e evitar que continuem a ser distorcidos, como muitas vezes acontece na internet e nas redes sociais, disse o autor.

Rojas salientou ainda que o livro mostra o cenário político do mundo na época, sobretudo em África, para que se possa compreender o papel da ilha e os princípios de solidariedade que nortearam as acções do país e dos combatentes cubanos, que estavam convencidos da justiça da causa que defendiam em Angola.

Na apresentação, que contou com a presença do General-de-Aviação e Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), Altino Carlos José dos Santos, e do secretário de Estado para a Protecção dos Objectivos Estratégicos, Lúcio Gonçalves Amaral, foi destacado o importante papel desempenhado pelos cubanos, que escreveram páginas gloriosas ao lado dos angolanos.

O Chefe do Estado-Maior destacou nomes como o Comandante Raúl Díaz Argüelles, primeiro chefe da missão militar cubana e recentemente homenageado no Cuanza Sul, e outros como os falecidos Generais Ramón Espinosa Martín e Senén Casas Regueiro.

Agradeceu ao autor do livro, a quem chamou de verdadeiro camarada, e instou-o a continuar a escrever sobre esses momentos importantes da história dos dois países, pois o seu trabalho contribui para cimentar os laços de amizade, solidariedade, fraternidade e cooperação entre as nações, selados com sangue no campo de batalha.

O general reformado das FAA Francisco Lopes Gonçalves Afonso “Hanga” explicou que o texto trata das experiências de oito cubanos presos em Angola, entre eles o autor, seis dos quais estiveram presentes no lançamento da obra.

Carlos Alberto Marú, Roberto Morales e Ezequiel Garcés foram detidos pelos sul-africanos em Dezembro de 1975 e libertados em Setembro de 1978; Roberto Estévez, já falecido, foi prisioneiro da Unita a partir de 1983 e libertado em 1989, juntamente com outros dois companheiros; o escritor Manuel Rojas e Ramón Quesada também caíram nas mãos da Unita em Outubro de 1987 e foram libertados em Agosto de 1988.

As histórias de Raúl Martell e Luis Melián, capturados em 14 de Fevereiro de 1988 e libertados em 1989, completam a história.

Hanga observou que nenhum cubano foi combater noutros países por dinheiro, honra ou glória, ou para viver de méritos. Todos eles estavam convencidos de que estavam a cumprir um dever patriótico, solidário e humano, razão pela qual não se renderam e não aceitaram as propostas de traição quando foram feitos prisioneiros.

jha/kmg

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