Brasília, 15 de agosto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que a relação do Brasil com Cuba é de respeito e condenou o bloqueio do governo dos EUA contra a ilha, que dura quase 70 anos e é a causa das necessidades que o país caribenho enfrenta, afirmou.
O mandatário brasileiro fez as declarações durante um discurso no estado de Pernambuco, no qual condenou as recentes medidas adotadas pelo governo norte-americano contra dois funcionários brasileiros, coordenadores do programa de saúde “Mais Médicos”, sob o pretexto de que contribuíram com um esquema de trabalho forçado de médicos cubanos, utilizado para financiar o governo de Cuba.
O presidente brasileiro disse: “Nossa relação com Cuba é uma relação de respeito, a um povo que é vítima de um bloqueio há 70 anos. Hoje eles estão passando por necessidades, por causa de um bloqueio que não tem razão alguma. Os EUA fizeram uma guerra e perderam, aceitem que perderam e deixem os cubanos viverem em paz, deixem os cubanos viverem suas vidas, não queiram mandar no mundo, ele não é imperador”.
Outros altos representantes do governo brasileiro, do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Congresso também manifestaram sua rejeição à medida e reconheceram a participação dos médicos cubanos no Mais Médicos.
Alexandre Padilha, ministro da Saúde: “O programa Mais Médicos sobreviverá aos ataques injustificados de quem quer que seja. O programa salva vidas e conta com a aprovação daqueles que mais importam: a população brasileira”.
Lindbergh Farias, deputado e líder do PT na Câmara dos Deputados: “Os Estados Unidos revogaram os vistos de funcionários brasileiros ligados ao programa Mais Médicos, penalizando a cooperação sanitária que salvou vidas onde o SUS (Sistema Único de Saúde) não chega. É um ataque à solidariedade internacional daqueles que enviam “os médicos necessários aos cantos mais obscuros do mundo”. Em um momento em que o Brasil enfrenta tarifas punitivas e dificuldades econômicas, Lula responde com medidas de emergência para proteger empregos e empresas. Mas a sanção dos Estados Unidos aumenta o custo político: pune aqueles que oferecem atendimento e dignidade, aqueles que escolhem ser médicos em vez de bombas em um mundo onde a cooperação está sujeita a represálias. Enquanto isso, Cuba, que historicamente “exportou médicos, não bombas”, celebra laços de solidariedade, ontem com o legado de Fidel, hoje com alianças com a China e outros países. É um exemplo vivo de que investir em saúde e em laços internacionais constrói mais do que represálias: constrói esperança e justiça.”
Gleissi Hoffman, ministra das Relações Institucionais: “Milhões de famílias brasileiras de áreas rurais e periféricas receberam atendimento de profissionais cubanos no âmbito do programa Mais Médicos, lançado em 2013 durante o governo da presidente Dilma Rousseff. Só podemos lembrá-los com gratidão e condenar a última provocação do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Punir os funcionários brasileiros que participaram desse programa é uma vingança mesquinha, que só poderia vir de quem nunca compreendeu o que é precisar de atendimento médico e não ter a quem recorrer”.
Humberto Costa, senador do PT e ex-ministro da Saúde: “Seu mal-estar é evidente: nos EUA, a saúde não é um direito, é um negócio! Enquanto o Mais Médicos oferece atendimento gratuito a milhões de pessoas no Brasil, Trump persegue aqueles que tornaram isso possível.