Solidariedade angolana para com as causas do povo cubano

Luanda (Prensa Latina) A Associação de Amizade Angola-Cuba (ASAC) exige o fim do bloqueio económico, financeiro e comercial do governo dos Estados Unidos contra a nação das Caraíbas, disse o secretário-geral da organização, Fernando Jaime.

Seria 'uma fatalidade' não lutar por essa causa, porque 'sentimos a corda a apertar à volta do pescoço da ilha', disse ao Prensa Latina o professor e historiador, que coordena os esforços da ASAC aqui há mais de 30 anos.

Sem dúvida, uma das nossas prioridades neste momento é a luta contra o bloqueio", disse ele, referindo-se à próxima consideração do assunto na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Na opinião do analista, as sanções do Norte denotam o claro propósito de causar sofrimento às famílias, porque "querem matar à fome o povo" e ver Cuba de joelhos.

Para José Martí, o herói da independência cubana, "a melhor maneira de dizer é fazer", interpretando essa máxima, "faremos tudo, absolutamente tudo por Cuba", disse o director da ASAC.

Tal como fomos incansáveis na defesa do regresso de Elián González e dos Cinco heróis cubanos presos nos Estados Unidos, seremos implacáveis e incansáveis nesta luta contra o bloqueio", resumiu.

OPERAÇÃO CARLOTA e COOPERAÇÃO SUL-SUL

Entre Angola e Cuba, há "uma amizade construída polegada a polegada", disse o representante da ASAC, que também anunciou a actualização do acordo de cooperação entre a Associação e o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP).

Não há outras pessoas no mundo, disse ele, que tenham dado tanto em nome da liberdade e independência dos outros: "A maior referência nas relações Sul-Sul chama-se Cuba", disse ele.

No passado dia 27 de Maio celebrou-se o 30º aniversário do fim da Operação Carlota, ou seja, da conclusão em 1991 de quase 16 anos de cooperação militar entre a ilha e Angola através do envio de tropas internacionais.

A este respeito, o entrevistado agradeceu a oportunidade de explicar aos leitores da Prensa Latina o que, na sua opinião, constituem as duas dimensões simbólicas daquele acto heróico com o nome de uma mulher.

O primeiro, disse, é "o reconhecimento sagrado da figura de Carlota que, como escrava de origem africana, morreu heroicamente em defesa da independência de Cuba". A segunda dimensão, continuou, é a própria Operação, "como um épico glorioso que assumiu proporções internacionais", servindo de base para conquistar a independência do Zimbabué e da Namíbia, pondo fim ao apartheid na África do Sul e conseguindo a libertação de Nelson Mandela.

No final de 1975, o território do jovem Estado angolano foi invadido por forças estrangeiras do norte e do sul; perante esta situação, o Dr. Agostinho Neto pediu ao líder cubano Fidel Castro "um apoio multiforme para salvaguardar a inviolabilidade do solo patriótico", assim a ajuda militar, explicou o historiador.

Na opinião de Jaime, o pedido do Presidente Neto foi um acto legítimo e "sem falsa modéstia, podemos considerar a Operação Carlota como a base para a proclamação da nossa independência e da existência de Angola como uma nação livre".

Neto e Fidel eram "figuras decisivas, sem as quais era impossível pensar na estabilidade da África Austral", disse o estudioso.

Com prazer, disse, aceitaria ser convidado para uma reunião internacional para aprofundar o conhecimento e a divulgação da contribuição de ambos os estadistas para a libertação do continente africano, berço da humanidade.

Em geral, a participação voluntária do cidadão cubano nesse gesto emancipador foi 'uma lição moral para Angola, África e o mundo', disse o professor, que descreveu o facto como algo 'inesquecível, indelével, que penetra fortemente nos nossos corações'.

A nossa amizade, acrescentou, foi forjada no campo de batalha com lágrimas, suor e sangue; assim, convidou a recordar a Batalha de Cuito Cuanavale, na qual cubanos e angolanos travaram uma das maiores batalhas de guerra que teve lugar no mundo após a Segunda Guerra Mundial.

Alguns não têm noção da nossa dívida impagável com Cuba", mas parafraseando a canção do trovador Carlos Puebla, eu diria: "Cuba, quão bela é Cuba, que te defende, que te ama mais", disse ele.

Talvez devido à alma do seu historiador, Fernando Jaime enviou à Prensa Latina fotografias da sua vida para acompanhar esta entrevista, entre elas uma tirada há anos com Fidel Castro, e outras recentes na companhia dos actuais presidentes de Angola, João Lourenço, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel.

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